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Artigo: Sexo Seguro:
Subtítulo: mentira e falsa tranquilidade
Data: 26/02/2013
Categoria: **Espiritualidade
Tempo atrás, o presidente do Pontifício Conselho para a Família, cardeal Alfonso Lopez Trujillo, em uma entrevista à Rádio Vaticano, advertiu que o preservativo não era o anunciado ''sexo seguro''. Havia feito, anteriormente, várias afirmações no programa Panorama, da BBC, sobre a família, a vida e assuntos relacionados. Entre eles, o uso do preservativo.
Como acontece com diversos temas amparados por ideologias ou acobertados por uma mobilização que atua na opinião pública, surgiu na imprensa, inclusive do Brasil, uma série de afirmações no sentido contrário.

Em programas de televisão, o cardeal foi tratado duramente em conseqüência de suas colocações, que decorrem do ensino da Igreja Católica.

Em síntese, o presidente do Pontifício Conselho confirma a entrevista dada por ele à BBC, sobre assuntos relacionados com a família e a vida. À pergunta sobre o ''sexo seguro'' como meio de evitar a propagação do HIV, ele respondeu: ''Ninguém pode falar realmente de 'sexo seguro', levando as pessoas a acreditar que o uso do preservativo é a fórmula para evitar o risco de contaminação do HIV, e, dessa forma, vencer a epidemia da AIDS''. Tampouco se pode levar as pessoas a acreditarem que os preservativos proporcionam uma segurança absoluta. Ele está bem fundamentado em muitos estudos já publicados e, entre eles, cita Jacques Suaudeau, doutor em medicina, que seguiu de perto o problema da AIDS na África. Recentemente, o Pontifício Conselho para a Família publicou o ''Lexicon, Termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas'', no qual há todo um longo capítulo sobre o ''sexo seguro'' que respalda as afirmações do cardeal.

Essa obra do Pontifício Conselho foi publicada originariamente em italiano e está sendo traduzida em diversos outros idiomas, inclusive o espanhol e o alemão.

Há algum tempo, na sessão plenária das Nações Unidas, em Nova York, dedicada à problemática do HIV, o cardeal Cláudio Hummes, então arcebispo de São Paulo, em nome da Santa Sé, confirmou, na ONU, o compromisso em favor dos enfermos dessa epidemia. E deu, em sua intervenção, úteis informações para avaliar objetivamente a posição da Igreja, inclusive no assunto ora tratado.

Disse ele: ''Minha delegação se alegra em poder informar que 12% dos que atendem a pacientes com HIV são integrantes da Igreja Católica e 13% da ajuda global aos enfermos provêm de organismos não governamentais católicos. À Santa Sé, graças às suas instituições por todo o mundo, cabem 25% das atenções dadas às vítimas do HIV.'' Comunicou ao plenário a criação de uma comissão ad hoc para a luta contra o HIV e insistiu na educação para o comportamento sexual responsável, inclusive a abstinência, a fidelidade conjugal e a atenção aos órfãos em decorrência da epidemia.

A reação raivosa às declarações do cardeal Trujillo não têm fundamento, pois não pode ser chamado de ''seguro'' o que falha vez por outra. Além disso, trata-se de um assunto no qual a Igreja tem empenhado seus esforços. Lembro, por exemplo, que na Arquidiocese do Rio de Janeiro há um ambulatório, inclusive com assistência dentária, para os enfermos e mais duas instituições para internações; uma delas, está sob os cuidados das religiosas Missionárias da Caridade, congregação fundada por Madre Teresa de Calcutá.

Se respeito os que investem contra a posição da Igreja Católica, evidentemente tenho o direito de manifestar o que firmemente acredito. Assim, repito o que tenho dito pelos meios de comunicação social.

Trago alguns exemplos. Há algum tempo, em meu artigo semanal publicado em órgãos da imprensa nesta cidade e transmitidos por canais de televisão e emissoras de rádio, afirmei o seguinte: ''No mês seguinte, leio em um órgão da imprensa local, sob o título 'Camisinhas de time são falsificadas', informação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por ter, no dia anterior interditado o lote de preservativo nº 06602-MD (...) e estar recolhendo o produto em todo o país''.

A 17 de julho do ano 2000, eu me referia: ''A 12 de fevereiro do ano passado um importante jornal de circulação em todo o Brasil publicou uma notícia com o título 'Instituto resolve recolher do mercado um lote de preservativos reprovados em teste'. Tratava-se de mais um lote, importado e examinado pelo Inmetro. A marca é a terceira em venda no país.''

O esforço publicitário baseado no chamado ''sexo seguro'' transmite uma falsa tranqüilidade, pois o preservativo, em certa proporção, se rompe em uso e, em conseqüência, mais um pode ter sido condenado, isto é, infectado pelo HIV.

Não há uma palavra sobre o perigo eventual de contaminação ou a existência de outros meios de evitar essa doença mortal, como a abstinência e a fidelidade conjugal.

Ao lado dessas observações, há uma outra que revela a mesma atitude. Refiro-me à decisão de distribuir gratuitamente preservativos aos alunos de escolas públicas, no Brasil, para alcançar a redução do engravidamento precoce.

Pelo contrário, ela é um estímulo a uma vida inteiramente à margem dos valores morais, além de mostrar um completo desconhecimento da família bem estruturada. Deve-se proporcionar uma educação sexual que não se confunda com o incentivo ao poderoso instinto sexual. Incita o uso desregrado da atividade sexual exatamente no momento da puberdade e juventude. Para qualquer pessoa de bom senso isso é muito grave.


O que pensar das conseqüências quando o aluno lê este título em um grande diário a 19 de agosto último: ''Camisinha grátis em escola pública. Preservativos serão distribuídos pelo governo a jovens a partir de 15 anos''?


A Igreja, mesmo que seja uma voz no deserto, continuará a dizer a verdade, ainda que irrite.


E-mail para Dom Eugenio Sales: cardealsales@arquidiocese.org.br
Autor: Dom Eugênio Sales, Site: Teologia do Corpo
Fonte: Com. Shalom
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