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Artigo: Amor perfeito – Dor perfeita
Subtítulo: Por Frei Sebastião Fernandes, ofmcap
Data: 04/10/2012
Colunista: Frei Sebastião F., ofmcap
Categoria: **Espiritualidade

Em Francisco o mundo viu e continua vendo um homem pleno de Deus!

Foi um homem crucificado pelas renúncias, jejuns, penitências, etc., mas isso tudo não lhe era suficiente, pois as grandes almas aspiram também grandes coisas. Como também, é verdade, são seres inconformados e, por isso, não cessam suas buscas. Assim foi Francisco, não obstante já ter uma prática de vida profundamente radical, desejou graças além do imaginário. E com o espírito destemido quis ainda pedir graças mais elevadas do Senhor. Certo dia fez uma oração pedindo duas tais graças, “de experimentar na alma e no corpo a mesma dor que Cristo sofreu na paixão; a segunda, era de sentir o quanto possível, no coração o mesmo extraordinário amor que levou o Filho de Deus suportar, pelos pecadores, tamanha paixão”.

É verdade que só o amor é capaz de desejar realidades inimagináveis e incompreensíveis, “ou seja o mistério, o desconhecido também faz parte do nosso viver cotidiano”. Francisco desejou identificar-se com “aquele que o seu coração amava”, quis uma identificação de corpo e de espírito. Esta identificação é com o amado que o faz sofrer as mesmas penas e gozar as mesmas alegrias, como se constituísse com ele uma só pessoa. Só o amor é capaz dessa profunda, mas alta e nobre loucura; só um amor tão grande é capaz de renunciar os prazeres, mas nunca as dores de quem se ama.

São Francisco rogou para si o Amor e a Dor do seu Senhor e se sabe que o amor ele o manifestava pela prática concreta de vida. Depois de haver em tudo imitado a Jesus Cristo, haver reconstituído sensivelmente a cena do presépio, restava-lhe restituir sensivelmente a crucificação. Era um desejo tão ardente, que o senhor lhe comunicou toda a dor e todo o seu amor crucificando-o do mesmo modo pelo qual ele foi crucificado. Francisco fora atendido, sente no próprio corpo os sinais da paixão. “O amor o transformara na imagem perfeita do amado,” porque o homem se transforma sempre no que ama.

Deus toca sensivelmente Francisco e ele se deixa tocar. Deus triunfa nele, pelo amor, pela adoração, pela oração perfeita. Quanto mais se assemelha ao Cristo, mais ele morre de amor. Quanto mais abraça o Cristo, mais abraça a humanidade inteira, seus irmãos e irmãs!

Francisco foi estigmatizado, sentiu, certamente, muitas dores, pois o amor é dolorido e isso o torna também misterioso! Tudo isso poderia limitá-lo, mas não, Francisco continua sonhando com o infinito, impulsionado pelo fogo divino. É verdade que “realidade e sonho, realidade e ideal, realidade e utopia significam a mesma coisa e representam uma das molas propulsoras do crescimento humano. Pode dizer-se que o homem vive a realidade, mas não pode viver sem sonhos”. Francisco, então, vive a realidade mas sonha e busca, porque o ser humano sem sonhos e sem ideais não é nada! Com o mesmo desejo ardente com que ele pediu tamanha graça, com o mesmo coração e desejo-disposição, com um coração abrasado ele saboreias essa realidade incompreensível da dor. A dor, para ele, parece ser abertura para a plenitude e aperfeiçoamento das virtudes. E nós “não conhecemos a dor senão na forma de impedimento e de desespero, e não como expressão da nossa própria condição”. Mas Francisco, com suas fantasias oníricas, rompe o horizonte também desta condição humana, para mostrar que isso também é abertura à plenitude! Com isso, ele tornava-se um ser humano ilimitado que desejava apenas desaparecerem Deus. Foium ser que buscou porque tinha a alma arroubada por um ideal certo, Deus! Pois “o mundo ideal e do sonho é um convite permanente à viagem”, e Francisco, simplesmente, não parou! Assim como o Senhor acolheu seu pedido, da mesma forma Francisco acolhe amorosamente o toque divino, e então, ele pode dizer, “eu vivo, mas já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim”.

Portanto, a exemplo de Francisco todos nós caminhamos sempre nesse processo de viagem, de mudança-conversão para aquilo que devemos ser. Que bom saber que não somos petrificados num estado atual, mas temos sempre a possibilidade de mudanças. Isso pode parecer incômodo, pois muitos se acostumam à estagnação. Ou, na verdade, o que perturba não é o fato de estarmos em transformação, e sim no quê estamos nos tornando, precisamos saber para onde estamos nos encaminhando. Nos transformamos naquilo que amamos, seja bom ou ruim, infelizmente, existem essas possibilidades: podemos estar subindo ou descendo, alçando vôo ou afundando...! Mas, o mais importante é saber que estamos sempre em processo de tornar-se naquilo que amamos. Na verdade, somos a somatória de tudo o que amamos em grande ou menor medida. Cresceremos na imagem daquilo que mais amamos; pois o amor, entre outras coisas, é uma força de afinidade criativa, daí, só quem ama é criativo! Pois o amor é capaz de mudar, moldar, modelar e transformar. Tornar-se semelhante a Deus é, e precisa ser, o supremo objetivo de toda criatura humana. Pois a suprema obra de Cristo na redenção não foi somente salvar-nos do inferno, mas restaurar-nos à semelhança de Deus, a este propósito nos confirma São Paulo: “Os que ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho...” eis o processo dinâmico para o qual somos já predestinados. Assim, os estigmas de Francisco, nos lembram essa nobre realidade de processo, mudança, conversão e proximidade com o que se ama! É o desejo original de Deus que, no fundo, está impregnado na nossa existência, voltarmos à semelhança com Ele e, por isso, para Ele somos atraídos. No amor perfeito à dor perfeita... eis a imagem perfeita!


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